Dr. Aldo Corrêa de Lima – Advogado | Professor | Teólogo

A Escravidão

 

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Luís Gama 

Luís Gonzaga Pinto da Gama nasceu em Salvador em 1830 e morreu em São Paulo em 1882. Sua mãe, Luísa Mahim, era africana livre e seu pai, sabe-se que pertencia a uma das mais tradicionais famílias da Bahia, mas era desconhecido.

 

Luís Gama tinha apenas 10 anos quando foi expulso em Campinas, em um lote de escravos, para a venda ao público. Dele se acercou um morador de arrabaldes:

 

“Onde nasceste?”

 

“Na Bahia”, respondeu Luís Gama.

E acrescentou:

 

“Já não foi bom que te venderam tão pequeno!”

 

Chegou ao Rio a bordo do navio Saraiva, vendido pelo pai, e a partir daí começou a sua triste sina, como mercadoria que passou a ser do tráfico de escravos.

 

Fixou-se na casa de um português, Vieira, comerciante de velas, sendo vendido ao alferes Antônio P. Cardoso e levado a Santos. De lá foi encaminhado a Campinas. Aprendeu o ofício de carpinteiro com o alferes, e em 1847 travou conhecimento com Antônio Rodrigues, hóspede do alferes, que lhe ensinou a ler, escrever e contar. Alfabetizado, deixou a casa onde morava, com muito pesar, pois gostava de seu amo.

 

Enfim, estava livre. Começou a procurar sua mãe, infrutiferamente. Daí em diante dedicou-se aos estudos de Direito, tornando-se um advogado prático, mas com uma cultura tão grande que superava a dos próprios bacharéis.

 

Luís Gama se transformou no grande jornalista e excelente advogado que, por ironia do destino, acabou por ter como cliente um fazendeiro, o conde de Três Rios, o mesmo que no passado não o quisera como escravo, mas que passou a orgulhar-se de tê-lo como amigo e advogado.

 

Certa vez, em São Paulo, quando exercia a advocacia, entrou aflito em seu escritório um negro, implorando que conseguisse a sua libertação. Minutos depois, também ofegante, entrou o senhor do escravo que, ao ver o negro, logo exclamou:

 

“Mas, por que isso? Que mal te fiz eu? Pois não te trato como filho? Não tens cama, comida e dinheiro?

 

Queres então deixar o cativeiro de um senhor bom como eu, para seres infeliz em outra parte? Que te falta em casa? Anda, fala!”

 

O negro cabisbaixo, calou-se, mas Luís Gama interveio:

 

“Falta-lhe o principal! Falta-lhe a liberdade de ser infeliz onde e como queira!”

 

Fonte: Grandes Advogados, Grandes Julgamentos – Pedro Paulo Filho – Depto. Editorial OAB-SP

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Arquivado em:Causas Históricas

7 Responses

  1. kelma disse:

    oi!!!! essa frase revela toda a excência, que o contéudo aborda!!! ótimo

  2. Angel disse:

    Gostei. ainda mais da ultima frase.

  3. Rafael disse:

    O desfecho é dez!!!

  4. Antonio disse:

    Agente não quer só comida, também queremos liberdade, cidadenia e as redeas do nosso destino.

  5. William disse:

    nasci e me criei em campinas sp..tenho 66 anos..atualmente moro nos EUA… existe em campinas no bairro do bonfim uma rua de nome Luis Gama em homenagem a este ilustre cidadao..e’ uma rua pequena mas faz ligacao com o bairro castelo e da’ saida para o bairro botafogo..que leva ao centro da cidade…Luis Gama e’ lembrado a todo momento por la’…parabens ao autor da reportagem….eu como sou um menino passarinho que nao tem vontade de voar nao…eu voo…livre e solto…sei bem o que e’ ser livre…nao quero ouro…nao quero nada…quero liberdade!!!..quero poder ir e vir onde bem me convier…..gostei!!!!….abracos

  6. guilhermerme disse:

    eu, guilherme, de 9 anos, li este documentario e gostei muito eu recomendo a todos. Este email e da minha mae pois eu nao tenho.

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Dentro dessa perspectiva, é fundamental que possamos fiscalizar, direta e indiretamente, a atuação do "Estado" e do particular (ONG's também) e exigir a punição aos infratores, especialmente, se forem Autoridades Públicas.

Dessa forma, talvez estejamos dando um passo concreto e mais eficaz em direção a um futuro mais equitativo para todos nós, principalmente para os mais pobres.

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