ZILDA ARNS se preocupava com os outros

Zilda Arns, morreu em decorrência do terremoto de 7 graus de magnitude que atingiu o Haiti nesta terça-feira (12.01.2010).

Zilda estava no país desde a última segunda-feira, para participar de um encontro com religiosos, segundo a Folhaonline, assim como tratar-se de um encontro humanitário.

Nascida em 1934, ela era representante de algumas entidades, tanto religiosas, quanto sociais. Também era membro do Conselho Nacional de Saúde e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

Ela era viúva e mãe de cinco filhos. Empenhada em causas ligadas ao combate à mortalidade infantil, desnutrição e violência familiar, ela chegou a ser indicada ao prêmio Nobel da Paz em 2006 e recebeu diversos outros prêmios.

Zilda acreditava que a educação é a melhor forma de combater a maior parte das doenças de fácil prevenção e a marginalidade das crianças. Desenvolveu uma metodologia própria de lidar com a solidariedade entre as famílias mais pobres. Costumava citar sempre o milagre bíblico da multiplicação dos dois peixes e cinco pães que saciaram 5.000 pessoas, como narra o Evangelho segundo o Apósto João.

Fundou alguns movimentos religiosos e sociais a partir de 1983.

Entre os prêmios internacionais recebidos por Zilda estão:

– Prêmio “Heroína da Saúde Pública das Américas”, concedido pela Organização Pan-Americana de Saúde, em 2002;

– Prêmio Social 2005 da Câmara de Comércio Brasil-Espanha;

– Medalha “Simón Bolívar”, da Câmara Internacional de Pesquisa e Integração Social, em 2000;

– Prêmio Humanitário 1997 do Lions Club Internacional;

– Prêmio Internacional da OPAS em Administração Sanitária, 1994.

No ano passado, uma ONG ligada a Zilda foi investigada pelo uso de recursos públicos de forma irregular no pagamento de dirigentes da instituição.

A Justiça Federal no Paraná condenou a ONG a devolver recursos públicos usados.

Apesar das incoerências históricas e atuais do catolicismo, que interpreta muito erroneamente a BÍBLIA SAGRADA, Zilda Arns era católica. …

Escrito por M. Martins (modificado por Aldo Corrêa).

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Zilda Arns foi o que todas nós, ou muitas de nós, gostaríamos de ser ou de ter sido: uma mulher de infinita dedicação às suas crianças, à sua gente, ao seu país e ao seu mundo. Ela morreu como viveu: chacoalhando em desconfortáveis jipes militares, aos 75 anos, numa guerra contra a pobreza, a sujeira, a ignorância. A favor da vida. Morreu para que tantos outros vivessem no pequeno Haiti, o mais miserável país da América Latina, quase um encrave da África pobre na região.

Médica, especializada em educação física e pediatria, Zilda foi indicada três vezes pelo Brasil para o Prêmio Nobel da Paz. Merecia, e seria uma honra para cada um de nós. Mas ela não era só brasileira, era do mundo.

Suas soluções simples, baratas e enormemente eficazes cruzaram fronteiras e foram salvar vidas em 15, 20 países pobres da América Latina e da África. Coisas assim como lavar as mãos, tomar banho, aproveitar os alimentos até o último detalhe. Quem não leu sobre macerar cascas de ovos para adicionar cálcio à alimentação de pobres ? Quem não sabe da mistura caseira para salvar crianças de desnutrição e desidratação ?

Sua história e seus ideais se confundem com os dos ícones mundiais em ajuda humanitária.

Zilda dedicou sua vida à vida alheia, mantendo-se bonita, vaidosa, imensamente feminina. Não interpretou um papel. Era apenas ela mesma em ação.

Se Zilda Arns tivesse morrido de uma doença qualquer, de um acidente qualquer, mesmo assim sua morte teria imensa repercussão e geraria uma tristeza nacional.

Tornou-se ela, por sua luta social, uma personagem mundial, cercada por exemplos que deixam boas marcas perante a solidariedade internacional.

Zilda, definitivamente, não passou pela vida em vão.

Fonte: Folha de São Paulo (modificado por Aldo Corrêa).

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