Dr. Aldo Corrêa de Lima – Advogado | Professor | Teólogo

Quando o Perigo é a Diversidade !!!

Ainda no começo do mestrado lemos na fantástica obra de Hobbes que o homem vive e fomenta um perpétuo Estado de Guerra, inicialmente, duvidamos, porém, após uma detida análise geográfico-temporal tivemos de nos curvar à genialidade do filósofo.

O homem é um ser em constante conflito e parece sobreviver e evoluir melhor quando fomenta uma catástrofe, afinal, exemplos não faltam: a sociedade norte-americana estava completamente falida no início da década de 30 do século 20, e o que aconteceu com menos de 20 anos transcorridos? Uma das nações mais ricas do globo.

O Japão terminou sua participação na Segunda Guerra Mundial com dois dolorosos genocídios: Hiroshima e Nagasaki, e como temos essa nação atualmente? Um proeminente e imperioso império econômico.

A França e a Alemanha, então, vivenciaram eventos reiterados, pois, sucumbiram e fora dizimados, praticamente, ao longo das duas grandes guerras, o saldo? Potências econômicas e lideranças dentro do bloco da União européia.

Poderíamos continuar com uma longa seqüência de acontecimentos e países que fizeram da guerra e do conflito armado seu potencial de desenvolvimento, será que a sina do homem moderno é financiar a sua própria desgraça?

Quando Shakespeare, na consagrada obra Hamlet, eternizou um dos maiores conflitos do homem com a célebre frase “ser ou não ser”, o autor inglês, provavelmente, não imaginava que essa seria a indagação dos governantes.

Não existe respeito algum sobre a diversidade dos povos e a prova cabal foi a colonização, ou melhor, uma nova forma tida como civilizada de fomentar uma guerra, pois, o que temos hoje na África nada mais é do que um mapeamento geopolítico e geográfico calcado nos interesses essencialmente econômicos, sem a mínima consideração quanto à etnia, costumes, tradições, etc.

O saldo não poderia ser diferente: conflitos e milhares de mortes, já que povos diferentes são obrigados a conviver em limites territoriais impostos por forasteiros e, depois, os organismos internacionais ainda afirmam que os africanos são pessoas essencialmente primitivas e atrasadas, mas não teria sido o inteligente e sagaz homem branco que destruiu àquela cultura?

Claro, é muito mais simplista reduzir o problema de conflitos a um nível econômico, pois, assim, a conversa fica restrita a poucos protagonistas, aliás, os mesmos de sempre, que forçam e mobilizam os conflitos entre si, como forma de desenvolvimento.

Outro ator que tem verdadeira fixação por um conflito, como forma de se perpetuar na figura de protagonista, é Israel, num outro retrato de uma região que fora dividida indevidamente e o saldo é uma batalha sangrenta que é transmitida ao longo de gerações.

Naquela região simplesmente parece impossível à convivência, ainda que instável, entre palestinos, judeus, libaneses, egípcios e iranianos.

Povos com religiões completamente distintas, bem como hábitos e tradições simplesmente não conseguem respeitar o limiar de civilidades que deveria permear e habitar o íntimo de todo o ser humano.

E deveria ser diferente? Num mundo ao qual a palavra de ordem é a guerra, não estariam esses países seguindo o mandamento da luta pela mantença da adversidade da diversidade, ou seja, não podemos conviver em paz porque somos diferentes, numa clara manifestação que o importante é o conflito e não o respeito à diversidade dos povos.

Se a vontade dos governantes é lucrar com as constantes guerras seria muito mais sensato dizimar povos inteiros com o esdrúxulo pretexto de unificação das raças.

Todavia, restaria uma impossibilidade concreta a propositura de um plano de governo assim para qualquer nação, então, o discurso, sempre inflamado, é diferente (!?), pois os líderes para contarem com a aprovação popular propalam aos seus pares que a guerra é uma forma de lutar pelo nacionalismo e pela unidade do país.

Claro que para a sobrevivência plena da nação o preço a ser pago é o extermínio do país inimigo, eis o caloroso e inflamado aplauso de seus habitantes, afinal, alguém luta pela unidade.

Quanta ilusão…

Em verdade, os governantes lutam para enriquecerem seus próprios bolsos e refrearam o desejo de expansão do vizinho, numa clara demonstração de que o homem precisa da guerra, afinal, essa é a forma mais rápida de…subir na vida.

Enquanto isso, o que antes era diversidade agora é nomeado como animosidade, o que outrora foram diferenças culturais, atualmente temos o nome de racismo e assim caminha a humanidade rumo ao colapso e caminhando firme e forte em busca de eliminar as diferenças.

Os governantes medíocres que erguem a bandeira dos direitos humanos são os mesmos que a mancham de sangue inocente em prol de um evolucionismo comercial.

De tal sorte, que poderemos todos nos encontrar no único lugar em que estaremos todos seguros e livres dos medos da guerra, local esse em que, enfim, a diversidade será respeitada, qual seja? Um buraco negro, frio e profundo.

É para lá que marchamos inexoravelmente em velocidade constante…

Por Antônio Baptista Gonçalves, in Boletim Jurídico.

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Arquivado em:Cultura, Direitos Humanos

One Response

  1. Karla Lorena disse:

    Este texto critica e chega muito perto de todos os meus argumentos para justificar o maior erro do ser humano, logo da humanidade. Hoje se pode observar, as pessoas cujo seguem uma ideologia, sejam religiosas, política, social, geográfica dentre elas nota-se um sentimento de “ninguém mais tem razão”, alem do próprio individuo que se manifesta com seus argumentos e teorias. O nacionalismo, por exemplo, vem muitas das vezes, por sua maioria, com um valor que expressa: “o meu é melhor que o seu”. Confirma assim o seu texto, ao mencionar a diversidade. Parece ser tão difícil simplesmente respeitar a opinião alheia, a diferença entre o visinho e o outro visinho. Quantas foram os momentos em minha vida que me deparei com tal fatalidade. Eu ainda não tive a oportunidade de começar a faculdade de direito, mas me pergunto por que quero tanto me formar, mais não é só me formar em direito é mais que isso, tem um sentimento dentro de mim muito forte. Eu queria muito ajudar as pessoas, queria que essas pessoas pudessem enxergar além do próprio nariz. Mas ainda não sei como concretizar essa vontade imensa. Mas quero seguir em frente, e tenho minhas atitudes do dia-dia que acredito que fazem a diferença, mesmo que sejam mínimas. Mas é complicado. Quando eu paro para analisar não é só um problema, são vários, uma coisa puxa a outra. Gosto de Hobbes. Gosto muito de ler Maquiavel também e o sentimento que ele tem em dados momento de suas escrituras se parecem com os meus. Bom, resumindo e concluindo. Ótimo texto. E infelizmente a realidade.

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Dentro dessa perspectiva, é fundamental que possamos fiscalizar, direta e indiretamente, a atuação do "Estado" e do particular (ONG's também) e exigir a punição aos infratores, especialmente, se forem Autoridades Públicas.

Dessa forma, talvez estejamos dando um passo concreto e mais eficaz em direção a um futuro mais equitativo para todos nós, principalmente para os mais pobres.

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